Geografia de Coronel Fabriciano

Geografia de Coronel Fabriciano

Mapa de Coronel Fabriciano

Região Sudeste
Estado Minas Gerais
Coordenadas geográficas 19° 31' S 42° 37' O
Área  
 - Total 221,252 km²[1]
 - Zona urbana 17,02 km²[2]
 - Zona rural 204,232 km²[2]
Limites  
 - Municípios limítrofes Norte: Joanésia e Mesquita;
Oeste: Ferros;
Sudoeste: Antônio Dias;
Sul: Timóteo;
Leste: Ipatinga.[3]
Relevo Predominantemente montanhoso[3]
Extremos de elevação  
 - Ponto mais alto 1 260 m (na Serra dos Cocais).[3]
 - Ponto mais baixo 220 m (no Rio Piracicaba).[3]
Hidrografia  
 - Bacia hidrográfica Rio Doce [3]
 - Principais rios Piracicaba e Córrego Caladão.[3]
Clima tropical quente semiúmido (Aw)[3]

A geografia de Coronel Fabriciano se refere às características naturais do município brasileiro supracitado, localizado no interior do estado de Minas Gerais, como relevo, hidrografia e outros aspectos de sua composição física. Sua área corresponde a aproximadamente 221 quilômetros quadrados, representando 0,0377% da área do estado mineiro e 0,0026% da extensão de todo o país.[4] Localizada no leste de sua unidade federativa, Coronel Fabriciano integra a Microrregião de Ipatinga, que por sua vez se encontra inserida na Mesorregião do Vale do Rio Doce.[4] O município possui cerca de 108 mil habitantes, distribuídos sobretudo na zona urbana, que corresponde a quase 8% da área total, e se localiza a cerca de 200 quilômetros a leste da capital do estado, Belo Horizonte.[2][5]

O município apresenta relevo predominantemente montanhoso, sendo que cerca de 80% da área municipal é coberta por mares de morros ou montanhas. As maiores elevações do território fabricianense se encontram no interior da Serra dos Cocais, onde a altitude máxima alcança os 1 254 metros acima do nível do mar.[3] Nos Cocais, também estão situadas diversas nascentes de pequenos córregos e ribeirões, a exemplo do Córrego Caladão, que corta o perímetro urbano da cidade. A sul de Coronel Fabriciano, delimitando sua divisa com o município de Timóteo, está o Rio Piracicaba.[3]

O clima de Coronel Fabriciano é tropical quente semiúmido, caracterizado por uma estação seca e amena nos meses de inverno em contraste com o período quente e chuvoso do verão.[6] A vegetação nativa do município pertence ao domínio da Mata Atlântica, porém a monocultura de reflorestamento com eucalipto ocupa quase 60% da área municipal,[7] tendo como objetivo a produção de madeira destinada às indústrias da Região Metropolitana do Vale do Aço (RMVA),[8] a qual a cidade está incluída e que corresponde ao segundo maior pólo urbano-industrial do estado de Minas Gerais.[9]

Localização

Vista de Coronel Fabriciano a partir da Serra dos Cocais.

O município de Coronel Fabriciano ocupa uma área de 221,252 quilômetros quadrados,[10] representando 0,0377% de seu estado, 0,0239% da Região Sudeste do país e 0,0026% de todo o território brasileiro. Está localizado no interior de Minas Gerais, na região leste da unidade federativa.[4] De acordo com a divisão do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, Coronel Fabriciano pertence à Microrregião de Ipatinga, que por sua vez está incluída na Mesorregião do Vale do Rio Doce.[11] Limita-se com Joanésia e Mesquita a norte, Ferros a oeste, Antônio Dias a sudoeste, Timóteo a sul e Ipatinga a leste.[3][12]

Da área total, 17,02 km² constituem o perímetro urbano, que se situa entre os paralelos 19°31'08" de latitude sul e 42°37'44" de longitude oeste e está a 198 km da capital mineira.[13][3][2] Administrativamente, constitui-se pelo Distrito-Sede e pelo distrito de Senador Melo Viana, que ocupa a porção norte da zona urbana e tem área total de 46,88 km².[14] A cidade também é dividida em 63 bairros oficiais e seis regionais, denominadas "setores", de acordo com a prefeitura em 2008.[15]

Região metropolitana

O intenso crescimento dessa região tem tornado inefetivas as fronteiras políticas entre seus municípios, formando-se a Região Metropolitana do Vale do Aço, envolvendo, além de Coronel Fabriciano, as cidades de Ipatinga, Santana do Paraíso e Timóteo, além dos outros 24 municípios que fazem parte do chamado colar metropolitano.[9] A região se tornou conhecida internacionalmente em virtude das grandes empresas que se encontram na região, a exemplo da Cenibra (em Belo Oriente), Aperam South America (em Timóteo) e Usiminas (Ipatinga), todas com um crescente volume de produtos exportados,[16][17] sendo o segundo maior pólo urbano-industrial do estado de Minas Gerais.[9] Segundo estatísticas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), os quatro principais municípios reuniam, em 2013, um total de 477 669 habitantes.[5]

Coronel Fabriciano sediava os complexos industriais da Aperam South America (antiga Acesita) e Usiminas. Na época da implantação das grandes siderúrgicas na cidade houve um grande crescimento populacional desordenado na região e em 1964 os municípios de Ipatinga e Timóteo se desmembraram, o que incluiu os territórios das indústrias.[18] Vários trabalhadores dessas empresas, entretanto, continuaram a morar em Coronel Fabriciano, enquanto as receitas tributárias e a maior parte das ações sociais promovidas pelas indústrias eram destinadas às cidades vizinhas, que as sediam.[18] A partir disso, Fabriciano ficou carente de recursos e estrutura para promover as políticas públicas necessárias[19] e o crescimento urbano não foi acompanhado pelo desenvolvimento econômico e social que fosse capaz de suprir às necessidades da população.[20][21]

Dados dos municípios da Região Metropolitana do Vale do Aço
Município Área (km²)[1] População (2013)[5] PIB (2011)
mil reais[22]
IDH (2010)[23]
Ipatinga 166 253 098 7 141 864 0,771
alto
Coronel Fabriciano 221 108 302 937 250 0,755
alto
Timóteo 145 86 014 2 009 145 0,770
alto
Santana do Paraíso 276 30 255 280 334 0,685
médio
Total 808 477 669 10 368 593 0,745
alto

Predefinição:Localização de Coronel Fabriciano

Geologia e relevo

Vista da cidade com relevo ondulado ao seu redor.
Relevo montanhoso na Serra dos Cocais.

Coronel Fabriciano tem a altitude média de 250 metros. O ponto culminante do município está na Serra dos Cocais, que chega aos 1 260 metros, enquanto que a altitude mínima se encontra no Rio Piracicaba, com 220 metros.[13] No município predomina um relevo montanhoso, sendo que cerca de 80% do território fabricianense é de terras formadas por mares de morros e montanhas, 15% são áreas onduladas e nos 5% restantes há terrenos planos.[3]

A região do município de Coronel Fabriciano está inserida na depressão interplanáltica do Vale do Rio Doce, que tem 200 km de comprimento e 50 km de largura, cujo relevo é resultado de uma dissecação fluvial atuante nas rochas granito-gnáissicas do período Pré-Cambriano.[24] Em grande parte da Bacia do Rio Doce predominam solos acentuadamente drenados que ocorrem principalmente nos planaltos dissecados. Este conjunto apresenta, na região, solos com baixa saturação de bases (distróficos) e alta saturação com alumínio (álicos), sendo formados de rochas predominantemente gnáissicas, leuco e mesocráticas, porém de caráter ácido, magmáticos charnoquitos, xistos e de depósitos argilo-arenosos. Outros tipos de solo que ocorrem em menor percentagem são: latossolo húmico, solos litólicos, cambissolos e afloramentos de rochas.[24]

Segundo estudos expedidos pelo Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), podem ser encontradas no município pedras preciosas e semipreciosas como água-marinha, turmalina, quartzo, topázio, granada e grafite, no entanto a extração mineral ainda não é feita legalmente.[25] Coronel Fabriciano faz parte da província geológica da Serra do Espinhaço, sendo sua principal unidade geológica a Serra dos Cocais, que corresponde à zona rural fabricianense e tem altitudes médias variando de 500 a 800 metros. Suas terras são formadas por blocos contínuos de granito, com rochas que sofreram alterações devido à pressão atmosférica e temperatura e têm idades superiores a 600 milhões de anos. Além da relevância geológica, divide três grandes bacias hidrográficas: a do Rio Piracicaba, do Rio Santo Antônio e do Rio Doce, abrigando centenas de nascentes.[26]

Hidrografia

O município faz parte da Bacia do Rio Doce e é banhado pelo Rio Piracicaba, um dos principais afluentes do Rio Doce. No subsolo, abaixo do Rio Piracicaba, está localizado um aquífero aluvionar, que é de onde é extraída a água utilizada para o suprimento da região do Vale do Aço.[27] A demanda de água gira em torno de 292 litros por segundo e a captação e tratamento no município são realizados pela Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa),[28] na estação de tratamento localizada no bairro Amaro Lanari.[29] A disponibilidade hídrica superficial no município é maior na parte sul. Enquanto nas demais áreas a capacidade máxima é de 0,008 a 1 litro por segundo, a região sul, mais próxima do Rio Piracicaba, apresenta uma média de até dez mil litros por segundo.[30]

O perímetro urbano é cortado pelo Córrego Caladão, que nasce na Serra dos Cocais e deságua no Rio Piracicaba.[13] O córrego sofre consideravelmente com a degradação ambiental, gerada pelo despejo de lixo e esgoto ao longo de seu curso, assoreamento das margens, poluição hídrica com esgotos domésticos e de pequenas indústrias, oficinas ou matadouros e erosão.[31] Os córregos São Domingos, dos Camilos e Pau Grande (estes afluentes do Caladão) e o ribeirão Caladinho também cortam a cidade.[32]

Na zona rural, são os principais cursos hidrográficos os córregos Alto, Cachoeira, do Cedro, do Cristal, dos Cocais, dos Gouveia, dos Machados, Frio, Lagoa, Melo Viana, Nova Estrela e Timirim e o ribeirão Cocais Pequeno, segundo cadastros do IBGE em 1980 e da prefeitura em 2009.[1][2][3] Neste último, em um trecho localizado a cerca de 6 quilômetros do bairro Belvedere, há uma praia de água doce: a praia do Cachoeirão, que é uma das atrações naturais da cidade.[3] O curso do Cocais Pequeno também alimenta uma usina hidrelétrica de pequeno porte, a UHE Cachoeira Grande, que possui capacidade de produção de 10 000 Kw.[33]

Durante a época chuvosa, que normalmente vai de outubro a março, são comuns enchentes em áreas baixas do município ao longo do curso do Rio Piracicaba. Na cidade, o principal bairro afetado pelas inundações é uma parte baixa do Centro de Fabriciano, conhecida como Prainha, por se localizar às margens do rio. É comum suas ruas ficarem debaixo d'água durante o período chuvoso e já foi recomendada a desocupação dessas áreas. Outros bairros frequentemente afetados são o Mangueiras e Amaro Lanari.[34][35] Às margens do Córrego Caladão são realizadas obras e manutenções com o objetivo de aumentar a capacidade do curso de receber as águas das chuvas, como parte do chamado parque linear.[36]

Clima

Temperaturas

Um arco-íris sobre uma área de relevo predominantemente ondulado e o Rio Piracicaba, na divisa com Timóteo.
Pancadas de chuva na cidade em dezembro de 2010, cujo mês é o mais chuvoso do ano, com média de 257 mm.

O clima fabricianense é caracterizado, segundo o IBGE, como tropical quente semiúmido (tipo Aw segundo Köppen),[37] tendo temperatura média anual de 21,6 °C com invernos secos e amenos (raramente frios) e verões chuvosos com temperaturas moderadamente altas.[38][6] Os meses mais quentes, fevereiro e março, têm temperatura média de 23,9 °C, sendo a média máxima de 29,2 °C e a mínima de 18,5 °C. E o mês mais frio, julho, de 18,1 °C, sendo 24,8 °C e 11,5 °C as médias máxima e mínima, respectivamente. Outono e primavera são estações de transição.[39]

Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), durante os períodos de 1960–1964 e 2000–2002 a temperatura mínima registrada na cidade foi de 7,0 °C, no dia 18 de julho de 2000,[40] enquanto que a máxima foi de 39,5 °C, no dia 3 de fevereiro de 2001,[41] porém em outubro de 2012 houve registros de temperaturas superiores a 42 ºC no Vale do Aço.[42]

Precipitação e umidade do ar

Maiores acumulados de chuva em 24 horas registrados
em Coronel Fabriciano por meses (1940–2002)
Mês Acumulado Data Mês Acumulado Data
Janeiro 112,3 mm 27/01/1953 Julho 43,2 mm 19/07/1941
Fevereiro 103,0 mm 09/02/2000 Agosto 68,6 mm 30/08/2000
Março 161,4 mm 23/03/1991 Setembro 68,0 mm 18/09/1952
Abril 123,0 mm 02/04/1941 Outubro 90,4 mm 29/10/1992
Maio 47,2 mm 03/05/1990 Novembro 179,2 mm 18/11/1953
Junho 55,4 mm 19/06/1971 Dezembro 100,4 mm 17/12/1997
Fonte: Agência Nacional de Águas (ANA)[43][44][45]

A precipitação média anual é de 1 254,6 mm, sendo julho o mês mais seco, quando ocorrem apenas 11,4 mm. Em dezembro, o mês mais chuvoso, a média fica em 257,1 mm.[39] Nos últimos anos, entretanto, os dias quentes e secos durante o inverno têm sido cada vez mais frequentes, especialmente entre julho e setembro. Em julho e setembro de 1998, por exemplo, a precipitação de chuva em Fabriciano não passou de 0 mm.[46] Em alguns dias do ano, durante a época das secas ou em longos veranicos em pleno período chuvoso, a qualidade do ar fica irregular, por conta da poluição e da baixa umidade relativa.[47]

A região sofre influência de frentes frias durante todo o ano,[48] no entanto no inverno a presença de um núcleo anticiclone subtropical impede o avanço da umidade, mantendo os dias secos e ensolarados, e favorece a influência de massas de ar frio, configurando-se a estação seca.[49][50] Entre o final da primavera e começo do verão, com o afastamento do anticiclone, as frentes frias atuam com maior intensidade e há uma intensa organização da convecção tropical, manifestada por uma banda de nebulosidade convectiva, as chamadas zonas de convergência — dentre as quais a zona de convergência do Atlântico sul (ZCAS) é a que mais afeta a localidade na estação das chuvas, provocando dias seguidos de chuvas intensas.[48]

Chuva forte se aproximando da cidade, na região do Unileste, em uma tarde de outubro, quando normalmente são registrados os primeiros temporais da estação das chuvas.
Alagamento em rua do bairro Santa Terezinha, em decorrência de uma chuva forte, em janeiro de 2013.

Entre 1940 e 2002, o maior acumulado de chuva em menos de 24 horas foi de 179,2 mm, registrado no dia 18 de novembro de 1953.[51] Outros grandes acumulados foram de 168,4 mm, no dia 23 de março de 1991;[52] 134,5 mm, em 23 de novembro de 1962;[53] 123,0 mm, em 2 de abril de 1941;[54] 120,7 mm, em 2 de novembro de 1992;[55] e 112,3 mm, no dia 27 de janeiro de 1953.[56] Em 15 de dezembro de 2005, entretanto, uma estação meteorológica situada em Timóteo, na divisa com Fabriciano, registrou 200,2 mm de chuva.[57] Naquele dia o forte temporal provocou enchentes e deslizamentos de terra por toda a cidade, deixando-a em estado de calamidade pública. Houve registros de mortes e feridos e alguns bairros ficaram isolados.[58] Em 6 de dezembro de 2011, a Defesa Civil fabricianense registrou 130 mm em menos de duas horas, provocando desabamentos, inundações e desalojados,[59] e na noite de 3 de janeiro de 2012 a precipitação pluviométrica passou de 100 milímetros em menos de uma hora, provocando novamente muitos estragos.[60] Também segundo a Defesa Civil, na madrugada de 27 de dezembro de 2013 o acumulado chegou a 150 mm em poucas horas, deixando vários bairros alagados.[61] O ano de 1992 foi o mais chuvoso da história da cidade, com acumulado anual de 2 329,4 mm,[62] e dezembro de 1962 teve o maior acumulado mensal, com 587,7 mm.[63]

Fenômenos adversos

Como já dito acima, durante a época das chuvas o município é constantemente atingido por deslizamentos de terra e pelas cheias do Rio Piracicaba e do Córrego Caladão.[64][65][66][67] Uma das piores foi a enchente de 1979, quando foram registrados 35 dias consecutivos de chuva entre janeiro e fevereiro daquele ano, afetando tanto Fabriciano quanto várias cidades localizadas na Bacia do Rio Doce.[68][69] No município, vários bairros banhados pelos cursos hidrográficos, como Giovannini e Júlia Kubitschek, ficaram alagados por alguns dias, sendo a pior enchente da história da cidade.[70] Outra grande enchente ocorreu entre dezembro de 2011 e janeiro de 2012, quando uma parte baixa do Centro, conhecida como Prainha, além de trechos dos bairros Manoel Domingos, Mangueiras e Amaro Lanari ficaram alagadas, em decorrência das chuvas contínuas que atingiram a região.[71] As chuvas de 2013, no entanto, são comparáveis às de 1979, provocando enchentes às margens do Córrego Caladão e deslizamentos de terra que desalojaram dezenas de pessoas e deixaram bairros e ruas inteiras cobertas de lama entre os dias 20 e 27 de dezembro.[61][72] Segundo registros da Defesa Civil de Minas Gerais, Coronel Fabriciano também foi afetada por enchentes e/ou enxurradas nos anos de 1996, 1997, 2003, 2004, 2005 e 2006 e por um vendaval severo em 1995.[73]

A incidência de raios no município tem aumentado nos últimos anos, seguindo a tendência de toda a Região Sudeste do país.[74] No biênio 2005–2006, a incidência de raios registrados sobre o território municipal foi de 5,4120 descargas atmosféricas por quilômetro quadrado por ano, enquanto que no biênio 2009–2010 o índice era de 7,0368, sendo o 888º maior do Centro-Sul brasileiro e o 130º maior de Minas Gerais.[75] Ocasionalmente ocorrem tempestades de granizo, com registros recentes em 4 de setembro de 2006[76] e 8 de março de 2010,[77] e existem relatos de ocorrências de fenômenos comparáveis a trombas-d'água em Fabriciano em 1959.[78] Por outro lado, em certas ocasiões o município é afetado por secas prolongadas, reduzindo a disponibilidade hídrica local.[27] O ano de 1963 teve o menor acumulado anual de chuva, com registro de 339,8 mm, cerca de 27% da média climatológica.[79]

Dados climatológicos para Coronel Fabriciano
Mês Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez Ano
Temperatura máxima recorde (°C) 39,4 40 37 39,8 36 32,6 35,8 35 38,4 39,8 38,6 38 40
Temperatura máxima média (°C) 32,3 33 32,3 31 29 27,9 28,1 28,6 29,6 30,1 30,9 31,2 30,3
Temperatura média compensada (°C) 25,3 25,5 25 23,5 21,4 19,5 19,1 19,9 22 23,3 24,2 24,7 22,8
Temperatura mínima média (°C) 20,6 20,5 20,1 18,5 16,2 14,1 13,1 13,9 16,4 18,6 19,4 20,2 17,6
Temperatura mínima recorde (°C) 16 15,6 14,4 11,8 6,8 3,6 6,4 5,4 8 12,6 13 15,2 3,6
Precipitação (mm) 239,8 137,1 162,5 66,6 40,6 15,2 7,4 18,1 48,7 108 258,1 312,8 1 414,9
Dias com precipitação (≥ 1 mm) 13 8 10 6 5 3 2 2 5 8 14 16 92
Umidade relativa compensada (%) 80 77,8 79,8 81,1 82,2 82,4 79,2 76,3 74,5 75,5 79,9 81,3 79,2
Fonte: Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) — normal climatológica de 1981–2010;[80] recordes de temperatura de 1981–2002[81][82][83]

Ecologia e meio ambiente

O Cachoeirão, queda-d'água situada em meio às montanhas da Serra dos Cocais e à Mata Atlântica nativa em contraste com plantações de eucalipto ao redor.
Área verde de mata fechada em morros nas proximidades do bairro Córrego Alto.

A vegetação nativa pertence ao domínio florestal Atlântico (Mata Atlântica), porém a monocultura de reflorestamento com eucalipto ocupa área maior que o bioma original, tendo como finalidades a produção de matéria-prima para a fábrica de celulose da Cenibra e a produção de carvão vegetal para as siderúrgicas locais, como a Aperam South America e a Usiminas.[8] No interior da Serra dos Cocais, assim como em vários municípios do Vale do Rio Doce, a Cenibra passou a pagar aos pequenos produtores para que cultivassem o eucalipto em suas propriedades, destinado à produção de celulose da empresa, em Belo Oriente, ao invés de manterem suas lavouras para própria subsistência, onde as atividades econômicas predominantes giravam em torno da agropecuária e plantações de café e passaram a ser substituídas pelo extrativismo vegetal, na produção de madeira destinada às indústrias do Vale do Aço.[8] Em 2009, os plantios de eucalipto ocupavam 13 129,08 hectares ou 59,13% da área de Coronel Fabriciano. Neste mesmo ano, 50,1 hectares (0,23%) eram cobertos por cursos hídricos e 1 246,78 hectares (5,61%) eram áreas urbanizadas.[7] No que se refere à ocupação do território fabricianense, cerca de 429 hectares do município são utilizados em cultivos de lavouras e outros 1 916 hectares são ocupados por pastagens destinadas principalmente à pecuária.[84]

Um problema recorrente em todo o município é as queimadas, que ocorrem sobretudo durante os meses em que o clima seco propicia a propagação de fogo pela vegetação, prejudicando ainda a qualidade do ar já debilitada em função da poluição oriunda das siderúrgicas nas cidades vizinhas.[85] Entre setembro de 2011 e o mesmo mês de 2013, foram registrados cerca de 12 focos de incêndio por meio de satélites.[86] No biênio anterior, contudo, o número de focos registrados foi mais de três vezes superior, chegando a 41 distribuídos por todo o município.[87] No período chuvoso, as enchentes provocam grandes estragos nas áreas mais baixas e populosas da cidade[88] e deslizamentos de terra nos morros e encostas.[89] As causas destes problemas muitas vezes são as construções de residências em encostas de morros e áreas de risco, além do lixo e do esgoto despejado nos córregos e ribeirões.[65][67]

Sede da Associação Nova Vida, onde é feita a triagem do lixo reciclável recolhido na cidade.

Em meio às áreas reflorestadas e desmatadas, ainda são encontradas algumas diversidades em ilhas não devastadas, com algumas espécies de bromélias e orquídeas, além da palmeira-indaiá, ipê-amarelo, embaúbas, quaresmeiras e samambaias, dentre outras espécies. Na época das secas (abril–outubro), é comum o amarelamento de áreas com muito mato e poucas árvores, devido à escassez de chuva.[13] Já na fauna também é comum observar espécies típicas de áreas do domínio da Mata Atlântica, assim como em várias regiões do próprio estado de Minas Gerais, como jacu; aves de rapina, como o gavião e o carcará; mamíferos como o lobo-guará, a onça-pintada e macaco-da-cara-branca; além de algumas espécies de serpentes.[13][90]

Em 2007, Fabriciano contava com três Áreas de Proteção Ambiental (APAs), sendo elas a APA Serra dos Cocais, a APA do Recanto Verde e a APA Mata da Biquinha.[91] A Serra dos Cocais ainda concentra grande parte da fauna e da flora local, além de ter sua importância hídrica e geológica citada anteriormente, sendo o divisor das bacias dos rios Doce, Piracicaba e Santo Antônio e abrigando diversas cachoeiras e nascentes, muitas das quais abertas à visitação.[8] A orientação variada do relevo, as variações bruscas de altitude e a influência do clima atlântico dão origem a microclimas; que, associados à constituição granítica do solo, criam aspectos particulares, resultando em características de vegetação rupestre que garantem à Serra dos Cocais uma diferenciação em relação às demais.[92] As APAs da Biquinha e do Recanto Verde, por outro lado, situam-se próximas do perímetro urbano e tem cerca de 70 hectares cada uma.[93] Possuem relevância por ter mata nativa em regeneração, onde vivem pequenos animais e pássaros diversos, e contam ainda com várias trilhas que são usadas para caminhadas e cachoeiras e nascentes abertas ao público.[94] Com foco à conservação ambiental, também se destacam campanhas de conscientização ecológica realizadas ocasionalmente nas escolas e que envolvem a população[95] e programas de arborização de logradouros.[96] A construção do parque linear do Córrego Caladão aumenta a capacidade do Córrego Caladão de receber as águas das chuvas, diminuindo o risco de enchentes,[36] e em novembro de 2013 houve a reestruturação do sistema de coleta seletiva de lixo, que funciona através de uma parceria entre a prefeitura, os estabelecimentos comerciais e os catadores de lixo.[97]

Panorama da Serra dos Cocais, sendo possível notar o Cachoeirão (ao centro) e a Cachoeira do José Felicíssimo (à direita)

Ver também

Referências

  1. a b Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (15 de janeiro de 2013). «Área territorial oficial». Consultado em 21 de julho de 2014. Cópia arquivada em 21 de julho de 2014 
  2. a b c d Plano Diretor de Desenvolvimento Integrado (PDDI) (20 de agosto de 2014). «Região Metropolitana do Vale do Aço - diagnóstico final (volume 1)» (PDF). Centro Universitário do Leste de Minas Gerais (Unileste). pp. 44–49. Consultado em 14 de outubro de 2014. Cópia arquivada em 14 de outubro de 2014 
  3. a b c d e f g h i j k Cidades.Net. «Coronel Fabriciano - MG». Consultado em 3 de setembro de 2010. Cópia arquivada em 1º de março de 2014 
  4. a b c Confederação Nacional dos Municípios (CNM). «Dados gerais». Consultado em 3 de setembro de 2010. Cópia arquivada em 22 de setembro de 2011 
  5. a b c Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (1º de julho de 2013). «Estimativas da população residente nos municípios brasileiros com data em 1º de julho de 2013» (PDF). Consultado em 9 de setembro de 2013. Cópia arquivada em 9 de setembro de 2013 
  6. a b Biblioteca IBGE. «Brasil - Climas». Consultado em 12 de novembro de 2012. Cópia arquivada em 9 de dezembro de 2011 
  7. a b Inventário Florestal de Minas Gerais. «Inventário Florestal de Minas Gerais - Consulta por Município». Consultado em 1º de março de 2014 
  8. a b c d Adilson Ramos da Silva, Glennia G. Gomes. de Souza, Pauliana Freitas Gonçalves e Marleide Marques de Castro (2 de junho de 2012). «Memória e identidade coletiva em uma região de monocultura de eucalipto» (PDF). Centro Universitário do Leste de Minas Gerais (Unileste). Consultado em 1º de março de 2014  |arquivourl= é mal formado: timestamp (ajuda)
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Ligações externas