Agostinho de Cantuária

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Santo Agostinho de Cantuária
Santo Agostinho nas Crônicas de Nuremberg
Arcebispo de Cantuária; "Apóstolo dos ingleses"
Nascimento c. primeiro terço do século VI em Roma, Itália
Morte Provavelmente 25 de maio de 604 em Cantuária, Kent, Inglaterra
Veneração por Igreja Católica; Igreja Ortodoxa; Comunhão Anglicana
Principal templo Abadia de Santo Agostinho, em Cantuária (em ruínas)
Festa litúrgica 27 de maio na Igreja Católica; 26 de maio na Igreja Ortodoxa e na Comunhão Anglicana
Gloriole.svg Portal dos Santos

Agostinho de Cantuária foi um monge beneditino que se tornou o primeiro arcebispo de Cantuária em 597. Ele é considerado o "Apóstolo dos ingleses" e o fundador da Igreja da Inglaterra[1].

Agostinho era prior de um mosteiro em Roma quando em 595 foi convocado pelo papa Gregório I para liderar uma missão à Britânia, com o intuito de cristianizar o rei Etelberto e os seus súditos no reino de Kent, até então crentes no paganismo anglo-saxônico. Numa carta dirigida ao patriarca de Alexandria Eulógio, em que detalhava as primeiras realizações da missão, Gregório afirmava ter enviado Agostinho e a sua missão para o "fim do mundo"[2]. A escolha de Kent deveu-se ao casamento de Etelberto com uma princesa cristã, Berta, filha do rei dos francos Cariberto I, pelo que Gregório procurou tirar partido da sua influência sobre o marido. Antes da chegada a Kent, os missionários ameaçaram voltar, mas Gregório urgiu que continuassem, tendo desembarcado em 597 na ilha de Thanet e de lá prosseguindo para a capital Cantuária.

O rei se converteu ao cristianismo e permitiu que os missionários pregassem livremente, oferecendo-lhes terras para a fundação de um mosteiro fora das muralhas da cidade. Agostinho foi consagrado bispo, promovendo o baptismo da população, incluindo um batismo coletivo de milhares de pessoas no Natal de 597. Perante o sucesso da missão, o papa enviou mais missionários em 601, juntamente com cartas e ofertas para incentivar a implementação da Igreja, embora as tentativas da missão em submeter os bispos celtas locais à autoridade de Agostinho não tenham sido bem sucedidas. Os bispos romanos se estabeleceram em Londres e em Rochester em 604, local onde foi fundada uma escola para preparar sacerdotes e missionários anglo-saxões. Agostinho nomeou para sucessor Lourenço de Cantuária antes da sua morte, que terá ocorrido provavelmente em 604, após a qual passou a ser venerado como santo.

Contexto da missão

Após a retirada das legiões romanas da província da Britânia em 410, o povo da região foi deixado à própria sorte para se defender dos ataques dos saxões. Antes da retirada, os britânicos já haviam se convertido ao cristianismo e o asceta Pelágio era nativo da região[3][4]. A província também enviara três bispos ao Concílio de Arles de 314 e um bispo gaulês esteve na ilha em 396 para ajudar a resolver questões disciplinares[5]. Restos materiais testificam uma crescente presença cristã, pelo menos até o ano de 360[6]. Após a retirada das legiões, tribos pagãs se assentaram na região meridional da ilha enquanto que a região ocidental, britânica, permaneceu cristã. Esta Igreja Britânica se desenvolveu então isolada de Roma, foi influenciada pelos missionários da Irlanda[3][4] e se concentrava nos mosteiros e não nas sés episcopais. Outras características peculiares eram o cálculo que utilizavam para a data da Páscoa e o estilo de tonsura que os clérigos se utilizavam[4][7]. Evidências da sobrevivência do cristianismo na parte oriental da Britânia durante este período incluem o culto de Santo Albano e ocorrências da palavra ecoles em topônimos, derivada do latim ecclesia ("igreja")[8]. Não há evidências de que estes cristãos nativos tenham tentado converter os invasores anglo-saxônicos[9][10] e eles, por sua vez, destruíram a maioria dos restos da civilização romana nas regiões em que se fixaram, incluindo as estruturas econômicas e religiosas[11].

Foi neste contexto que o papa Gregório I decidiu enviar uma missão, geralmente chamada de "missão gregoriana", para converter os anglo-saxões ao cristianismo em 595[12][13]. O Reino de Kent era então governado pelo rei Etelberto (Æthelberht), que se casara antes de 588 (ou antes de 560[14]) com uma princesa cristã chamada Berta[15]. Ela era filha de Cariberto I, um dos reis merovíngios dos francos. Como uma condição para o casamento, ela levou consigo um bispo chamado Leotardo para Kent[16]. Juntos em Cantuária, eles restauraram uma igreja dos tempos romanos[17] - possivelmente a atual Igreja de São Martinho. Etelberto era um pagão nesta época, mas permitiu à esposa a liberdade de culto. Um biógrafo de Berta afirma que, sob a influência dela, Etelberto pediu ao papa Gregório que enviasse os missionários[16]. O historiador Ian Wood acrescenta que a iniciativa partiu também da corte de Kent além da própria rainha[18], enquanto que outros historiadores acreditam que Gregório teve a iniciativa, embora suas razões permaneçam pouco claras. Beda, um monge do século VIII que escreveu a história da Igreja da Inglaterra, relata uma famosa história na qual Gregório teria visto escravos anglo-saxões de cabelos claros num mercado romano e se decidiu converter este povo [a][19]. Temas de ordem mais prática, como a aquisição de novas províncias que reconheceriam a primazia papal e o desejo de influenciar o poder emergente do Reino de Kent sob Etelberto, provavelmente tiveram parte na decisão[17]. A missão pode ter sido também uma derivação dos esforços missionários contra os lombardos[20].

Além da liberdade de culto concedida à esposa por Etelberto, a escolha de Kent foi provavelmente influenciada por uma série de outros fatores. Kent era o poder dominante no sudeste britânico e, desde a queda do rei Ceawlin de Wessex em 592, Etelberto era o principal líder anglo-saxônico; Beda afirma que ele tinha o imperium (poder senhorial - suserania) ao sul do Humber. O comércio entre os francos e o reino de Etelberto já estava bem consolidado e a barreira linguística entre as duas regiões era, aparentemente, um obstáculo menor, pois intérpretes da missão eram de origem franca. Por fim, a proximidade de Kent em relação aos francos possibilitou o apoio dos cristãos da região[21]. Há alguma evidência, incluindo as cartas de Gregório aos reis francos solicitando apoio para a missão, de que os francos acreditavam ter direitos de suserania sobre alguns dos reinos meridionais britânicos nesta época. A presença de um bispo franco também daria apoio a estas reivindicações se tivesse havido a suspeita de que Leotardo estivesse agindo em nome da Igreja dos francos e não meramente como um conselheiro espiritual da rainha. A influência franca não era meramente política, pois achados arquelógicos confirmam uma influência cultural também[22].

Em 595, Gregório escolheu Agostinho, que era então o prior da Abadia de Santo André em Roma, para liderar a missão a Kent[12]. O papa selecionou monges para acompanhá-lo e buscou apoio da realeza e do clero francos numa série de epístolas, muitas das quais estão preservadas em Roma. Ele escreveu ao rei Teodorico II da Borgonha e ao rei Teodeberto II da Austrásia, também para a avó de ambos, Brunilda, buscando ajuda. Gregório agradeceu ao rei Clotário II da Nêustria por ajudar Agostinho. Além de hospitalidade, os reis e bispos francos providenciaram intérpretes e sacerdotes francos para acompanhar a missão[23]. Ao solicitar ajuda dos reis e bispos francos, Gregório assegurou uma recepção amigável para Agostinho em Kent, pois Etelberto não iria maltratar uma missão que tinha um claro apoio do povo e dos parentes de sua rainha[24]. Além disso, os francos apreciaram a chance de participar de uma missão que ampliaria sua influência em Kent, principalmente Clotário, que precisava de um reino amigável do outro lado do Canal para ajudá-lo a vigiar o flanco de seu reino contra os demais reinos francos[25].

As fontes não mencionam o motivo pelo qual Gregório escolheu um monge para liderar esta missão. Ele escreveu uma vez para Etelberto elogiando o conhecimento bíblico de Agostinho, o que prova que ele era um erudito. Outras qualificações incluíam sua capacidade administrativa, pois Gregório era o abade de Santo André além de ser papa, o que deixava toda a operação diária da abadia nas mãos de Agostinho, o prior[26].

Chegada e primeiras conquistas

Mapa da região por volta do ano 600.

Quando partiu de Roma, Agostinho estava acompanhado por Lourenço de Cantuária, que seria seu sucessor no arcebispado, e de um grupo de 40 companheiros, alguns dos quais eram monges[15]. Logo após terem deixado a cidade, os missionários interromperam a viagem, temerosos da natureza do desafio que lhes fora apresentado e enviaram Agostinho de volta a Roma para conseguir uma autorização para voltarem. Gregório recusou o pedido e enviou Agostinho de volta com cartas de encorajamento aos missionários, urgindo-os a perserverarem[27]. Em 597, Agostinho e seus companheiros finalmente desembarcaram em Kent[15] e conseguiram algumas vitórias imediatamente[20][26]: Etelberto permitiu que os missionários se assentassem e pregassem em sua capital, Cantuária, e permitiu que eles se utilizassem da Igreja de São Martinho para os serviços litúrgicos[28]. No início da Idade Média, conversões em massa requeriam a conversão do governante primeiro e Agostinho já aparece realizando-as no primeiro ano desde a sua chegada em Kent[28], porém, nem Beda e nem Gregório mencionam a data da conversão de Etelberto[29], mas, por conta dos batismos em massa, ela deve ter ocorrido provavelmente em 597[28][b]. Além disso, Gregório, já em 601, estava escrevendo tanto para o casal real, chamando o rei de "seu filho" e mencionando seu batismo[c]. Uma tradição posterior, relatada pelo cronista do século XV Thomas Elmham, fornece uma data para a conversão do rei como sendo o Pentecostes, ou 2 de junho de 597, e não há razão para duvidar da data, embora não haja também nenhuma outra evidência que a suporte[28]. Contra a hipótese da conversão em 597 há uma carta de Gregório ao patriarca Eulógio de Alexandria de junho de 598 que menciona diversas pessoas convertidas por Agostinho, mas não menciona o rei. Porém, é certo que o rei havia se convertido em 601[30] e que o evento provavelmente ocorreu em Cantuária[31].

Agostinho fundou sua sé episcopal em Cantuária, mas não é claro onde ele foi consagrado bispo[20]. Beda, escrevendo um século depois, afirma que ele foi consagrado pelo arcebispo franco Etério (Ætherius) de Arles após a conversão de Etelberto. Cartas do papa Gregório, porém, já se referem a Agostinho como bispo antes de sua chegada à Inglaterra. Uma delas, de setembro de 597, chama Agostinho de bispo e outra, de dez meses depois, afirma que Agostinho fora consagrado por ordens de Gregório por bispos das terras germânicas[32]. O historiador R.A. Markus discute as várias teorias de quando e onde Agostinho teria sido consagrado e sugere que o evento teria ocorrido antes da chegada à Inglaterra, mas conclui afirmando que as evidências atuais não permitem decidir exatamente onde isso teria ocorrido[33].

Logo após a sua chegada, Agostinho fundou um mosteiro em homenagem aos santos Pedro e Paulo, que posteriormente seria rebatizado em sua homenagem[20], nas terras doadas pelo rei à missão[34]. A fundação tem sido reivindicada como sendo a primeira de uma abadia beneditina fora da Itália e também como o marco da introdução da Regra de São Bento na Inglaterra, apesar de não haver evidências de que abadia sequer seguia a regra quando foi fundada[35]. Na carta de Gregório ao patriarca de Alexandria em 598, ele alegou que mais de 10 000 cristão já haviam sido batizados, um número que pode ser um exagero, mas não há evidências para duvidar que as conversões em massa tenham de fato se realizado[15][26]. Porém, provavelmente já existiam cristãos em Kent antes da chegada de Agostinho, descendentes dos cristãos da Britânia[10], mas poucas evidências literários sobre ele sobreviveram[36]. Um outro efeito da conversão do rei pela missão de Agostinho foi que a influência dos francos sobre os reinos meridionais da Britânia diminuiu[37].

Após estas conversões, Agostinho mandou Lourenço até Roma com um relatório de seu sucesso juntamente com questões sobre a missão[38]. Beda preservou a carta e as respostas de Gregório no capítulo 27 de sua Historia ecclesiastica gentis Anglorum, que ficou conhecido como Libellus responsionum[39][40]. Agostinho pediu conselhos a Gregório sobre diversos assuntos, incluindo como organizar a igreja, a punição para os ladrões de igrejas, um guia sobre quem era permitido casar com quem e sobre a consagração de bispos. Outros tópicos foram a relação entre as igrejas da Britânica e da Gália, nascimentos e batismos e quando seria legal para uma pessoa receber a comunhão e para um padre celebrar a missa[40].

Outros missionários foram enviados de Roma em 601 e eles chegaram a Kent trazendo o pálio de Agostinho e presentes - vasilhames sagrados, vestes, relíquias e livros[d]. O pálio era o símbolo do status de bispo metropolitano e significava que Agostinho era agora um arcebispo inequivocamente associado com a Santa Sé. Juntamente com o pálio, uma carta de Gregório endereçada ao novo arcebispo pedia que ele ordenasse doze bispos sufragâneos tão logo quanto possível e que enviasse um bispo para York. O plano de Gregório era que houvesse dois metropolitanos, um em York e outro em Londres, com doze sufragâneos sob cada um. Como parte deste plano, esperava que Agostinho transferisse sua sé de Cantuária para Londres, o que jamais foi feito e nenhuma fonte da época relata o motivo[41]. O motivo provável é que Londres não era parte dos domínios de Etelberto e sim do Reino de Essex, governado pelo sobrinho dele, Seberto (Saebert), que se converteria ao cristianismo apenas em 604[17][42]. O historiador S. Brechter sugeriu que a sé metropolitana foi de fato mudada para Londres e que foi apenas com o abandono da cidade como sé episcopal após a morte de Etelberto que Cantuária se tornou a sé do arcebispo. Porém, esta teoria contradiz a versão de Beda sobre os fatos[43].

Outras obras

Agostinho e os anglo-saxões.

Em 604, Agostinho fundou mais duas sés episcopais na Britânia. Dois missionários que chegaram em 601 foram consagrados, Melito como bispo de Londres e Justo como bispo de Rochester[17][44][45]. Beda relata que Agostinho, com a ajuda do rei, "recuperou" uma igreja que havia sido construída pelos romanos em Cantuária[46][e]. Nâo é claro se Beda queria dizer que Agostinho reconstruiu a igreja ou se Agostinho simplesmente reconsagrou um edifício que tinha sido utilizado para cultos pagãos. As evidências arqueológicas suportam esta última hipótese; em 1973, os restos de um edifício com corredores datando do período romano-britânico foi descoberto ao sul da atual Catedral de Cantuária[46]. O historiador Ian Wood argumenta que a existência do Libelus indica um contato maior entre Agostinho e os cristãos nativos, pois os tópico cobertos na obra não se restringem à conversões do paganismo, mas também tratam das relações entre os diferentes estilos de cristianismo[47].

Agostinho não conseguiu estender sua autoridade sobre os cristãos em Gales e na Dumnonia, a oeste. Gregório decretou que estes cristãos deveriam se submenter a Agostinho e que seus bispos deveriam obedecê-lo[48], aparentemente acreditando que mais da antiga organização governamental e eclesiástica teria sobrevivido na região do que era de fato o caso[49]. De acordo com a narrativa de Beda, os britânicos nestas regiões viam Agostinho com incerteza e suas suspeitas foram reforçadas por um erro de julgamento diplomático por parte de Agostinho[50]. Em 603, Agostinho e Etelberto convocaram os bispos britânicos para um encontro. Os convidados se retiraram mais cedo para realizarem encontros com seu povo[51] que, segundo Beda, os aconselharam a julgar Agostinho baseado no respeito que ele demonstrasse no próximo encontro. Quando Agostinho não se levantou quando os bispos britânicos chegaram[52], eles se recusaram a reconhecê-lo como arcebispo[51][53]. Havia, porém, profundas diferenças entre Agostinho e a Igreja Britânica que talvez tenham tido um papel mais importante em evitar o acordo. Em disputa estavam a tonsura, a data da Páscoa e diferenças práticas arraigadas na abordagem ao ascetismo, empreitadas missionárias e de como a Igreja em si deveria estar organizada[50]. Alguns historiadores acreditam que Agostinho não compreendia a história e as tradições da Igreja Britânica, o que deteriorou a relação com os bispos dela[53]. Além disso, havia dimensões políticas envolvidas, uma vez que os esforços de Agostinho eram patrocinados pelo rei de Kent e, nesta época, Wessex e o reino da Mércia estavam expandido para o ocidente, invadindo áreas mantidas pelos britânicos[54].

Conquistas adicionais

Mais simples de implementar foram os mandatos romanos sobre os templos e celebrações pagãos. Os primeiros deveriam ser consagrados par o uso cristão[55] enquanto que as festas, se possível, deveriam ser movidas para datas em que se celebravam mártires cristãos. Um dos locais de culto se revelou ser um santuário em homenagem a um santo local, "São Sixto", mas os fiéis não sabiam nada sobre a sua vida ou a sua morte. Eles podem ter sido cristãos nativos, mas Agostinho não os tratou desta forma, pois quando Gregório foi informado, ele pediu que Agostinho encerrasse o culto e utilizasse o santuário em homenagem ao romano papa Sisto II (Sixtus)[56].

Gregório legislou também sobre o comportamento dos leigos e do clero. Ele colocou a missão diretamente sob a autoridade papal e deixou claro que os bispos ingleses não tinham autoridade algum sobre seus contrapartes francos e vice-versa. Outras diretivas tratavam do treinamento do clero nativo e da conduta dos missionários[57].

A Escola Real de Cantuária reivindica Agostinho como seu fundador, o que faria dela a escola mais antiga continuamente em existência, mas o primeiro registro documental da escola data do século XVI[58]. Agostinho de fato fundou uma escola e, logo após a sua morte, Cantuária conseguiu enviar professores para apoiar a missão na Ânglia Oriental[59]. Ele também recebeu livros litúrgicos do papa, mas o conteúdo deles é desconhecido. Eles podem ser alguns dos novos missais que foram escritos naquela época. Assim, liturgia exata que Agostinho introduziu na Inglaterra permanece uma incógnita, mas é provável que tenha sido uma derivada da liturgia em latim que era utilizada em Roma[60].

Morte e legado

Marco sobre o túmulo de Agostinho, em Cantuária.

Antes de sua morte, Agostinho consagrou Lourenço como seu sucessor ao arcebispado, provavelmente para garantir uma transição suave no cargo[61]. Ainda que na época de sua morte, 26 de maio de 604[20] a missão ainda mal passasse das fronteiras de Kent, seus esforços introduziram um estilo missionário mais ativo nas ilhas Britânicas. Apesar da presença prévia de cristãos na Irlanda e em Gales, eles não fizeram nenhum esforço para converter os invasores saxões. Agostinho estava focado em converter os descendentes destes invasores e, eventualmente, se tornou uma decisiva influência para o cristianismo da região[50][62]. Muitos de seus sucessos só foram possíveis por conta da relação próxima com Etelberto, que deu ao arcebispado tempo para se consolidar[63]. O exemplo de Agostinho também influenciou o grande esforço missionário da Igreja Anglo-Saxônica[64][65].

O corpo de Agostinho foi originalmente sepultado no pórtico do que hoje é a Abadia de Santo Agostinho[34], em Cantuária, mas foi posteriormente exumado e recolocado num túmulo dentro da igreja da abadia, que se tornou um local de peregrinação e veneração. Após a conquista normanda, o culto de Agostinho passou a ser ativamente promovido[20] e o seu santuário na abadia passou a ter uma posição central numa das capelas laterais, ladeado por santuários de seus sucessores Lourenço e Melito[66]. O rei Henrique I da Inglaterra concedeu à abadia uma feira de seis dias na época que as relíquias foram transladadas para o seu novo santuário, de 8 a 13 de setembro[67].

Uma Vita de Agostinho foi escrita por Goscelin por volta de 1090, mas ela retrata Agostinho de maneira diversa do relato de Beda. Ela tem pouco conteúdo histórico e se concentra principalmente nos milagres e em discursos imaginários[68]. Elaborando sobre este mesmo relato, escritores posteriores continuaram a adicionar milagres e histórias à vida de Agostinho, geralmente fantasiosos[69]. Entre eles está Guilherme de Malmesbury, que alega que Agostinho teria fundado a Abadia de Cerne[70], o autor (que geralmente acredita-se ser João Brompton) de uma crônica no período medieval tardio que contém cartas inventadas de Agostinho[71] e diversos autores medievais que incluíram Agostinho em seus romances[72]. Outros problemas em investigar o culto ao santo Agostinho é a confusão que resulta do fato de que a maior parte dos documentos litúrgicos medivais mencionando Agostinho não o distinguem de Agostinho de Hipona, um santo e escrito do século IV. Porém, a liturgia escandinava geralmente trata de Agostinho de Cantuária[73]. Durante a Reforma Inglesa, o santuário de Agostinho foi destruído e suas relíquias se perderam.

Contudo, o santuário foi reconstruído em março de 2012 na igreja de Santo Agostinho em Ramsgate, Kent, muito próxima do local de desembarque da missão[74][75]. Uma cruz celta marca o local em Ebbsfleet, Kent Oriental, onde diz-se que Agostinho teria desembarcado[76], embora Alan Kay, numa entrevista à BBC em 2005, tenha afirmado que o local exato seria em algum ponto entre Stonar e Sandwich. Ainda de acordo com ele, Ebbsfleet não estava na costa no século VI e que a história do desembarque foi inventada em 1884 por um aristocrata vitoriano que precisava da publicidade para atrair clientes para suas recém-inauguradas casas de chá[77].

Ver também

Agostinho de Cantuária
(597 - 604)
Precedido por: Angl-Canterbury-Arms.svg
Arcebispos de Cantuária
Sucedido por:
Fundação 1.º Lourenço


Notas

[a] ^ Gregório questionado de onde os escravos eram e lhe disseram que eram anglos da ilha da Grã Bretanha. Gregório teria respondido que eles não eram "anglos", mas "anjos"[78].
[b] ^ Porém, a cronologia de Beda parece estar um pouco defasada, pois ele relata a morte do rei em fevereiro de 616 e diz que ele teria morrido 21 anos após sua conversão, o que dataria a conversão em 595, antes da chegada de Agostinho, a quem ele explicitamente atribui a conversão[14]. Porém, como Gregório, em sua carta de 601 ao casal real implica que ela fora incapaz de converter o marido, o problema da datação é, provavelmente, um erro da parte de Beda[30].
[c] ^ A carta, traduzida para o inglês em Early History of the Church of Canterbury, de Brooks, p. 8, diz "preserve the grace he had received" ("...preservou a graça recebida"). Graça neste contexto significa a graça do batismo.
[d] ^ O destino deste itens nos anos seguintes é desconhecido. Thomas Elmham, um cronista do século XV de Cantuária, apresenta um conjunto de teorias sobre como os objetos teriam se perdido, inclusive terem sido escondidos e nunca recuperados durante os ataques dos dinamarqueses nos séculos IX e X, escondidos e perdidos durante a conquista normanda da Inglaterra em 1066 ou que teriam sido utilizados como resgate para o rei Ricardo Coração de Leão na década de 1190[79]. O Evangelho de Santo Agostinho (Corpus Christi College, manuscrito (MS) 286), que é um evangelho iluminado italiano do século VI, pode ser uma das obras enviadas a Agostinho e é tradicionalmente associado à missão gregoriana[80]. Outro possível sobrevivente é a cópia da Regra de São Bento, atual MS Oxford Bodleiano Hatton 48[81]. Ainda outra possibilidade é um evangelho, em estilo manuscrito italiano, e intimamente relacionado com o Evangelho de Agostinho, atualmente MS Oxford Bodleiano Auctarium D.2.14, que mostra evidências de ter sido mantido em poder dos anglo-saxões durante este período. Por fim, um fragmento de uma obra de Gregório, atualmente na Biblioteca Britânica como parte da MS Cotton Titus C, pode ter chegado à Inglaterra com os missionários[82].
[e] ^ O trecho em latim do capítulo 33 do primeiro livro de Beda pode ser consultado aqui. A sentença em questão é "AT Augustinus, ubi in regia ciuitate sedem episcopalem, ut praediximus, accepit, recuperauit in ea, regio fultus adminiculo, ecclesiam, quam inibi antiquo Romanorum fidelium opere factam fuisse didicerat, et eam in nomine sancti Saluatoris Dei et Domini nostri Iesu Christi sacrauit, atque ibidem sibi habitationem statuit et cunctis successoribus suis"[83]. A palavra latina recuperauit pode ser traduzida como "restaurada" ou "recuperada". Sherley-Price traduziram a sentença assim: "Tendo recebido a sua sé episcopal na capital real, como já relatado, Agostinho continuou, com ajuda real, a recuperar uma igreja que havia sido construída há muito tempo pelos cristãos romanos"[84].

Referências

  1. Delaney Dictionary of Saints pp. 67–68
  2. Gregório, o Grande. «30». Epístolas (em inglês). VIII. [S.l.: s.n.] Consultado em 27 de outubro de 2012 
  3. a b Hindley Brief History of the Anglo-Saxons pp. 3–9
  4. a b c Mayr-Harting The Coming of Christianity pp. 78–93
  5. Frend "Roman Britain" Cross Goes North pp. 80–81
  6. Frend "Roman Britain" Cross Goes North pp. 82–86
  7. Yorke Conversion of Britain pp. 115–118 discute o tema da "Igreja Celta" e o que ela representava exatamente.
  8. Yorke Conversion of Britain p. 121
  9. Stenton Anglo-Saxon England p. 102
  10. a b Mayr-Harting The Coming of Christianity pp. 32–33
  11. Kirby Earliest English Kings p. 23
  12. a b Stenton Anglo-Saxon England pp. 104–105
  13. Jones "Gregorian Mission" Speculum
  14. a b Kirby Earliest English Kings pp. 24–25
  15. a b c d Stenton Anglo-Saxon England pp. 105–106
  16. a b Nelson "Bertha (b. c.565, d. in or after 601)" Oxford Dictionary of National Biography
  17. a b c d Hindley Brief History of the Anglo-Saxons pp. 33–36
  18. Wood "Mission of Augustine of Canterbury" Speculum pp. 9–10
  19. Mayr-Harting The Coming of Christianity pp. 57–59
  20. a b c d e f Mayr-Harting "Augustine [St Augustine] (d. 604)" Oxford Dictionary of National Biography
  21. Brooks Early History of the Church of Canterbury pp. 6–7
  22. Kirby Earliest English Kings p. 27
  23. Brooks Early History of the Church of Canterbury pp. 4–5
  24. Brooks Early History of the Church of Canterbury p. 6
  25. Wood "Mission of Augustine of Canterbury" Speculum p. 9
  26. a b c Fletcher The Barbarian Conversion pp. 116–117
  27. Blair An Introduction to Anglo-Saxon England pp. 116–117
  28. a b c d Brooks Early History of the Church of Canterbury pp. 8–9
  29. Wood "Mission of Augustine of Canterbury" Speculum p. 11
  30. a b Kirby Earliest English Kings p. 28
  31. Higham Convert Kings p. 56
  32. Brooks Early History of the Church of Canterbury p. 5
  33. Markus "Chronology of the Gregorian Mission" Journal of Ecclesiastical History pp. 24–29
  34. a b Blair Church in Anglo-Saxon Society pp. 61–62
  35. Lawrence Medieval Monasticism p. 55
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  44. Hayward "St Justus" Blackwell Encyclopaedia of Anglo-Saxon England pp. 267–268
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  59. Brooks Early History of the Church of Canterbury pp. 94–95
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  61. Hindley Brief History of the Anglo-Saxons p. 43
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  65. Wood "Mission of Augustine of Canterbury" Speculum p. 8
  66. Nilson Cathedral Shrines p. 67
  67. Nilson Cathedral Shrines p. 93
  68. Gameson and Gameson "From Augustine to Parker" Anglo-Saxons pp. 17–20
  69. Gameson and Gameson "From Augustine to Parker" Anglo-Saxons p. 19
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